sábado, 17 de janeiro de 2015

a selva imaginária do Henri Rousseau


Eu estava lendo o livro Isso é Arte? do Will Gompertz, no capítulo sobre Primitivismo, quando me deparei com o tal do Henri Rousseau. O autor descreve sua trajetória artística um tanto quanto peculiar: Henri veio de uma família muito pobre, trabalhou até os 40 anos como coletor de impostos e então decidiu abandonar seu emprego e tornar-se um artista autodidata. Ele com certeza não se encaixava no perfil de artista boêmio da época, ele era só um cara de meia-idade sem dinheiro com uma vida sossegada e paixão pela pintura. Eu nunca tinha ouvido falar dele, na verdade, mas quando eu vi Uma noite de Carnaval, seu primeiro trabalho exposto, me apaixonei instantaneamente.


O quadro retrata um casal fantasiado voltando à noite de uma festa de carnaval. E é ingenuamente lindo. Eu adoro o jeito como o casal está centralizado, o céu azul de começo da noite, os tufinhos de nuvem, e até mesmo a assinatura inocente dele no canto do quadro.

Quando Rosseau o expôs no salão de Paris, porém, foi impiedosamente ridicularizado, como iria ser com a maioria dos seus quadros até o fim da sua vida. Eles zombavam da completa falta de habilidade técnica dele, da ausência de perspectiva, das composições desajeitadas e da aparência plana que suas pinturas tinham. E é exatamente isso que torna sua obra tão especial. Como Gompertz coloca no livro: "Um híbrido do tipo de ilustração simplista que vemos num livro de figuras para crianças com a limpidez pictórica bidimensional de uma estampa japonesa". Não podia ser uma combinação melhor.

A ingenuidade dos seus quadros e a inocência do próprio Rosseau tornaram-se sua marca. Apesar das críticas e da humilhação, ele continuava acreditando que deveria seguir a carreira de pintor, ainda que tardia. Ele ia ao Louvre e estudava as pinturas dos seus artistas favoritos, e nas revistas e livros sobre florestas selvagens ele encontrou inspiração para uma série de vários quadros que passam-se nesse cenário "exótico".



Novamente, suas pinturas revelavam um fascínio ingênuo de alguém que nunca vira uma floresta ao vivo mas sonhava e fantasiava em um dia visitá-la. Observando os quadros fica claro que ele desconhecia completamente o tema dessas pinturas - muitos animais são mais amigáveis do que ameaçadores, e muitas das espécies que ele agrupava em um quadro nunca viveram juntas. São quase surrealistas, mas para mim eles são pintados com tanto carinho e cuidado que são quase plausíveis.

Ele só obteve reconhecimento quando Picasso deparou-se com sua obra e ficou deslumbrado, chegando a dizer que a inocência de Rousseau lhe dava acesso ao que verdadeiramente significa ser humano, uma revelação que ele diz ser inacessível à maioria dos artistas. O Picasso é meio esquisito. Graças à ele, Rousseau foi acolhido a um grupo de artistas jovens da vanguarda. Era um tanto quanto engraçado aquele senhor então com seus já 60 e poucos anos que nunca tivera uma aula de pintura na vida, no meio de todos aqueles artistas boêmios jovens e pretensiosos. Mas todos o admiravam com muito carinho, e ele até chegou a ter um banquete em sua homenagem, na casa do próprio Picasso.


Apesar dos críticos da época olharem para suas pinturas e falarem que "uma criança consegue fazer isso", eles não mencionam (ou não sabem) que é bem difícil pintar com a liberdade de uma criança. Talvez eu esteja romantizando-o demais (como eu faço com tudo), mas eu acredito que suas pinturas compõem uma maravilhosa e despretensiosa história ilustrada e que Rosseau, como uma criança que não ouve os adultos, não ouviu os críticos e persistiu com aquilo que realmente gostava de fazer. E ainda bem que ele fez isso!

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

eu estou fazendo coisasssssss

Eu não apareço aqui há um tempo e eu queria dizer que sinto muito mas na verdade estou, tipo, zero regretz, porque janeiro tem sido um mês onde eu simplesmente estou fazendo muitas coisas. E quero dizer, realmente fazendo, saindo e tomando parte da minha vida ao invés de ficar só fazendo planejamentos na hora do banho (mas eu ainda faço isso também). Eu tive uma festa de aniversário surpresa que foi muito massa e rendeu ótimos registros, incluindo um vídeo em slow-motion meu gritando "ah meu deus" dezessete vezes ininterruptamente.

Também fiz minha primeira zine, uma coisa muito legal e importante pra mim. Apesar dela ser curtinha (tem 6 páginas no total), ela foi bastante trabalhosa porque tive que fazê-la e imprimi-la em uma semana a tempo de uma feirinha bacana na minha cidade. A zine se chama "rolê" e minha ideia era de fazê-la saltar por entre as páginas, entrando como uma intrusa em diversos meios, por exemplo uma carta de tarô, fotos de photobooth, entre outros; sempre mantendo um contato visual  meio cúmplice com o leitor. Essa foi a ideia primária, é claro que o que saiu disso e o que cada um pode interpretar é bem distinto. Já que eu sou muito ansiosa não aguentei e já coloquei ela disponível na íntegra no issuu:




Só depois eu percebi que talvez eu tenha tido subconscientemente me influenciado pelo filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. A personagem principal também se adapta nesses diversos cenários, e está sempre buscando alguma ligação com as pessoas a sua volta, apesar de ela própria sentir-se um tanto quanto isolada. Mais explicitamente, tem algumas cenas do filme que remetem bastante ao que eu pensei:






































































Eu acho que também estou finalmente aprendendo a pedir ajuda e falar com as pessoas. Eu estava no supermercado ontem e completamente perdida porque não conseguia achar o arroz que vem no saquinho e é mais rápido de preparar (não iremos questionar aqui minhas habilidades culinárias ok? ok) e eu pedi ajuda pra essa moça e falei que não sabia cozinhar muito bem e ela me ajudou a procurar e depois ainda me recomendou um tempero! Eu sei que tudo isso pode parecer bobo mas aquilo simplesmente me fez enxergar que talvez as pessoas não sejam sempre tão cruéis e mal intencionadas como eu penso, que existem pessoas dispostas a ouvir e ajudar, e que às vezes ter a coragem e a humildade de pedir ajuda é importante. Talvez agora tudo isso soe um tanto quanto ingênuo. Talvez eu esteja tendo meu momento Amélie Poulain. Whatever.

Agora umas citações legais que expressam todas esses ~momentos~ de realização e emoções que tenho sentido nesse primeiro mês do ano:

"Everything changes when you start to emit your own frequency rather than absorbing the frequencies around you, when you start imprinting your intent on the universe rather than receiving an imprint from existence." —Barbara Marciniak 
"Ho lee shit. I’ve been having this thought a lot lately: “What if I tried my hardest with everything in my power to do the things I really want to do?” It’s kind of embarrassing to admit that I’m not already trying my hardest and also that this simple thought has only recently popped into my head. Every time I think this thought I start to feel nervous with excitement though."— comentário de uma leitora nessa matéria da RookieMag

E esse trecho de uma entrevista com a quadrinista Ellen Forney, cujo livro Parafusos eu li na virada do ano. Ela fala sobre como ela superou o medo de perder a sua criatividade tomando remédios psiquiátricos (uma coisa pela qual eu estou passando, também) e sobre como ela descobriu que se sente bem melhor sendo uma artista equilibrada do que assumindo aquele estereótipo de "artista louca":

RookieMag: Because so much of the struggle in the book is “Will I still be creative on meds?” I feel like scenes like this are part of the worry. Like, will I still have these connections, these ways to check in with the world unexpectedly or creatively or in ways that open my eyes and make me feel, without the mania. 
Ellen: Right—OK, so here will be my analogy. [Laughs] You know how it is when you first totally fall in love with somebody, and you’re just like still crushing, like HEAD over heels, like, Awwwww! Like, I can’t even believe this experience would be happening! Right? And then let’s say that relationship extends into years. And then, ideally, four years down the line, you have this sense of deep love. And it’s still an extremely strong sense, and you can say that it’s even stronger because your feet are on the ground, and you can say, “I have this great thing.” It’s like that.

Eu acho que eu ainda não cheguei a esse ponto que a Ellen descreve, mas é onde eu quero chegar, e quero continuar tomando ação e caminhando em direção a isso.

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2015

she suspects darkness is also made of light por Aya Takano
Get Grounded por Alyssa Berg


source

happy2besad

Kandinsky

Kendra Yee


feliz ano novo!!
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

um post sobre 2014 e minha tendência de projetar minha vida EM TUDO

Esse ano foi estranho. Também foi o ano mais longo de todos. O fato de que 2014 está finalmente acabando me dá uma sensação de alívio esquisita e também faz eu sentir que terminei um rito de passagem que durou o ano inteiro e agora eu finalmente posso me considerar parte dos Adultos. Os Adultos por definição são aquelas pessoas que não vão mais pra escola e também não convivem mais com os pais e conseguem fazer compras no supermercado sem se distraírem na parte dos salgadinhos e esquecerem das coisas realmente importantes tipo papel higiênico e não choram à noite quando percebem que às vezes a vida não faz nenhum sentido. Ok, na verdade, acho que não sou bem uma adulta ainda afinal, mas eu sinto que tenho vagado entre a zona cinza que é a adolescência e a vida adulta o ano inteiro.

Terminar o colegial foi ótimo, e me dar ao luxo de me livrar da rotina exaustiva que é estudar para os vestibulares foi melhor ainda. Quando eu passei na faculdade, senti que havia conseguido completar a tarefa mais foda da minha vida, um sentimento que durante todo o meu colegial foi reforçado pela pressão constante para marcar pontos em uma prova e pela ideia de que meu valor enquanto ser humano contava com isso. Depois disso, eu tive certeza de que minha vida agora estava seguindo uma ordem perfeita e que, pela ordem, agora era o momento em que eu saía da casa dos meus pais e me tornava adulta com uma sensação de propósito e liberdade. Falando de uma forma mais metafórica, eu iria pegar uma escada rolante e suavemente subir até a tal da adulthood.

Ainda falando metaforicamente, foi mais como se eu tivesse entrado em um elevador e eu nunca sei quando esse elevador está subindo ou descendo e quando eu estou no andar certo e eu nem sei o quão seguro é esse elevador. E eu estou presa nesse elevador que é um limbo esquisito entre o que sobra da minha adolescência e a minha ideia de fase adulta que eu romantizei mais do que deveria (as usual).

Eu me senti mais perdida do que nunca esse ano. Eu cometi uns erros grotescos, acertei sem querer algumas vezes, e deixei de fazer muita coisa que meu eu "adulto" deveria ter feito por medo. Mas o que mais me marcou esse ano foi aquela sensação estranha de "E agora? O que eu faço agora?", apesar de eu estar cursando algo em uma faculdade eu não sentia mais que eu tinha um propósito na minha vida tanto quanto eu tinha em relação a passar no vestibular quando estava no colegial. Ficou um vazio muito grande dentro de mim, que deu espaço a uma crise existencial não muito agradável. Durante muitas vezes eu me senti só vagando por aí e fazendo coisas que eu nunca tinha certeza absoluta de que eu devia, ou queria, estar fazendo. Durante muitas vezes eu senti um impulso enorme de largar tudo e voltar pra casa e ficar com a minha mãe e deitar na minha cama e ficar lá pra sempre. E apesar de eu ter conhecido bastante gente na nova cidade, eu ainda me senti, me sinto, solitária na maior parte do tempo, presa nesse limbo cheia de questões existenciais.

tl;dr: Eu meio que me sinto como as personagens de Ghost World.





Em Ghost World, Enid e Rebecca, as duas personagens principais, também acabaram de terminar o colegial e passam a maior parte do tempo andando pela cidade, indo aos mesmos lugares e fazendo comentários sarcásticos sobre as pessoas que encontram. Elas meio que evitam falar sobre faculdades ou sobre o futuro da amizade delas, e preferem continuar fazendo as coisas que elas sempre fizeram e que costumavam ser divertidas para elas, tentando ignorar o fato de que a cidade e as pessoas em torno delas estão mudando, assim como a amizade delas começa a se deteriorar. Enid, em especial, tem que lidar com o fato de que aquela sua visão de mundo meio everything sucks é bem restrita e superficial, e que a sua melhor amiga é diferente dela em vários aspectos.


Para mim, essa história é sobretudo sobre deixar as coisas irem, sobre abandonar certas coisas, e aceitar mudanças, e aceitar que as coisas mudem você. Como a Enid, é difícil para mim abandonar a minha visão restrita e superficial de mundo, especialmente porque ela tem tanta relação com a minha adolescência, ou mesmo com a infância. As coisas pequenas que ela faz ao longo do livro, tipo pintar o cabelo de verde e se vestir punk, ou ouvir um disco que ela ouvia quando era criança, representam bem essa sensação de tentar se agarrar ao que um dia foi estável.

Frances Ha também é um filme que traduz bem toda essa situação. Tipo quando a Frances tenta pagar a conta de um restaurante e não aceitam o cartão dela e ela diz aquela frase que eu sei que vai definir a minha vida por um bom tempo:


Frances tem de lidar com o fato de que a sua melhor amiga está tocando a sua vida sem ela, e começar a encarar coisas bastante adultas tipo procurar um apartamento, e pagar o aluguel do apartamento, e arranjar um emprego para pagar o aluguel do apartamento. Frances pula de lugar em lugar, conhecendo pessoas novas mas sempre sentindo falta de sua amiga, e solitária, e confusa. E é como se ela sempre estivesse no timing errado com o resto do mundo. Mas o que eu achei legal e me identifiquei é que apesar de tudo ela tem esses momentos de otimismo ou só de entusiasmo sem motivo aparente, tipo quando ela está correndo na rua enquanto toca David Bowie.













E também, as cenas dela fazendo compras no supermercado, ou lendo no transporte público, e
quando ela vai visitar os pais dela na cidade natal, que é uma cena tão calma e reconfortante pra ela em comparação com a bagunça que é Nova York.






No final, ela ainda não tem a vida inteira feita. Talvez ela nem tenha conseguido encontrar completamente uma resposta pra pergunta do "o que eu faço agora?". Talvez não tenha bem uma resposta. Talvez eu devesse parar de ver a vida como um prédio de x andares onde a gente percorre sempre progressivamente em direção ao último andar, usando elevadores ou escadas rolantes ou qualquer outra metáfora com meios de transporte. Acho que afinal não tem problema ficar no limbo por um tempo. A Frances aprendeu algumas coisas e conquistou algumas outras coisas, e acho que é isso que eu também espero para mim no próximo ano.

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sábado, 20 de dezembro de 2014

what will we miss

uma cobra bastante animada pro Natal (source)

Vou fazer um a roundup de coisas legais que vi na internet essa semana e vou expressar minha opinião sobre elas por motivos de: sim.

- Eu vi esse texto flutuando no tumblr e achei bem interessante. É sobre como aquele conselho do "siga seus sonhos/faça o que você ama" foi romantizado ao ridículo e muitas vezes entra em conflito com a realidade - especialmente quando o assunto é dinheiro. Mas esse trecho do texto fala disso melhor do que eu jamais conseguiria:
"We’ve romanticized following your heart to the point that we’ve bastardized listening to your head. 
Chase your dreams, pursue your passion, do what you love, and you’ll never work a day in your life. But what happens when what you love becomes diluted by the process of incorporating it? When writing becomes scripting tweets for Merrill Lynch? When designing clothes becomes needing to hit sales numbers and Facebook likes? When becoming a character on the stage means having to constantly play a character in life? What is so wrong with having a job that’s just a job? When did we become so entitled to think that we should enjoy every minute we are literally surviving? That we can just fly from airport to airport finding ourselves? Who’s going to run the airport? 
And more importantly, what happens when what you love is something that needs money? Money matters. It’s foolish and arrogant to say otherwise. [...]  Maybe it’s brave to quit your job to go paint in Peru for a year, but it’s also brave to work two jobs to help pay for your mom’s medical bills. It’s smart to stay at the law firm until your loans are paid off. It’s OK to only tolerate your job but love your hobbies, because as soon as passions are turned into careers, you risk turning love into work."

Acho que especialmente o segundo parágrafo diz muito para quem quer seguir uma carreira artística ou criativa e está em conflito entre fazer algo com intenções "puras", tentando não focar demais em reconhecimento e dinheiro ou fazer algo que segue uma fórmula fácil e que sabemos que intencionalmente vai vender ou pelo menos atrair mais gente (oi, essa pessoa em conflito sou eu). No final talvez mesmo que você esteja trabalhando na área daquilo que você gosta, ainda vai haver uma distinção considerável entre o seu trabalho (que inevitavelmente tem que funcionar dentro do capitalismo) e o seu hobby.



- Esse texto é uma introdução muito boa ao trabalho da fotógrafa Francesca Woodman. Nos seus autorretratos, ela se funde com o ambiente, às vezes expondo o seu corpo e tornando-o sujeito e às vezes tentando escondê-lo como um objeto que faz parte do plano de fundo. É um trabalho meio fantasmagórico, como se ela nunca estivesse exatamente presente nas fotos. Já que eu estou sempre interessada em mulheres artistas, eu espero fazer um post só sobre ela futuramente.

- Eu tinha expressado minha frustração num outro post sobre como não tinham muitas mulheres presentes no sci-fi e aí eu descobri sobre a escritora indiana Roquia Sakhawat Hussain, que em 1905 (!!!) escreveu um conto sobre uma utopia futurista onde as mulheres tiveram acesso à educação e à livre participação na sociedade. O conto se chama O Sonho da Sultana e recentemente foi traduzido para o português e ganhou uma capa linda! Dá pra baixar de graça aqui, junto com uma coletânea de histórias infantis de ficção científica que discutem a questão de gênero.

- Esse vídeo do Vsauce, que é incrível (como todos os outros vídeos), fala sobre as coisas que vão acontecer no futuro e que nós não estaremos aqui pra ver, tipo a colisão entre as galáxias da Via Láctea e a Andrômeda daqui a 4 bilhões de anos. A melhor coisa desse vídeo, porém, é esse comentário:
This collision between Milky Way and Andromeda will be much more creative than it will be destructive. It seems like a wedding to be. The event will be unimaginably beautiful to behold. But the Milky Way is a she, and Andromeda is definitely a she. Does this mean that it will be a lesbian galactic wedding?  
Eternamente triste porque vou perder o maior casamento lésbico do universo :(

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