quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2015

she suspects darkness is also made of light por Aya Takano
Get Grounded por Alyssa Berg


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happy2besad

Kandinsky

Kendra Yee


feliz ano novo!!
xxx

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

um post sobre 2014 e minha tendência de projetar minha vida EM TUDO

Esse ano foi estranho. Também foi o ano mais longo de todos. O fato de que 2014 está finalmente acabando me dá uma sensação de alívio esquisita e também faz eu sentir que terminei um rito de passagem que durou o ano inteiro e agora eu finalmente posso me considerar parte dos Adultos. Os Adultos por definição são aquelas pessoas que não vão mais pra escola e também não convivem mais com os pais e conseguem fazer compras no supermercado sem se distraírem na parte dos salgadinhos e esquecerem das coisas realmente importantes tipo papel higiênico e não choram à noite quando percebem que às vezes a vida não faz nenhum sentido. Ok, na verdade, acho que não sou bem uma adulta ainda afinal, mas eu sinto que tenho vagado entre a zona cinza que é a adolescência e a vida adulta o ano inteiro.

Terminar o colegial foi ótimo, e me dar ao luxo de me livrar da rotina exaustiva que é estudar para os vestibulares foi melhor ainda. Quando eu passei na faculdade, senti que havia conseguido completar a tarefa mais foda da minha vida, um sentimento que durante todo o meu colegial foi reforçado pela pressão constante para marcar pontos em uma prova e pela ideia de que meu valor enquanto ser humano contava com isso. Depois disso, eu tive certeza de que minha vida agora estava seguindo uma ordem perfeita e que, pela ordem, agora era o momento em que eu saía da casa dos meus pais e me tornava adulta com uma sensação de propósito e liberdade. Falando de uma forma mais metafórica, eu iria pegar uma escada rolante e suavemente subir até a tal da adulthood.

Ainda falando metaforicamente, foi mais como se eu tivesse entrado em um elevador e eu nunca sei quando esse elevador está subindo ou descendo e quando eu estou no andar certo e eu nem sei o quão seguro é esse elevador. E eu estou presa nesse elevador que é um limbo esquisito entre o que sobra da minha adolescência e a minha ideia de fase adulta que eu romantizei mais do que deveria (as usual).

Eu me senti mais perdida do que nunca esse ano. Eu cometi uns erros grotescos, acertei sem querer algumas vezes, e deixei de fazer muita coisa que meu eu "adulto" deveria ter feito por medo. Mas o que mais me marcou esse ano foi aquela sensação estranha de "E agora? O que eu faço agora?", apesar de eu estar cursando algo em uma faculdade eu não sentia mais que eu tinha um propósito na minha vida tanto quanto eu tinha em relação a passar no vestibular quando estava no colegial. Ficou um vazio muito grande dentro de mim, que deu espaço a uma crise existencial não muito agradável. Durante muitas vezes eu me senti só vagando por aí e fazendo coisas que eu nunca tinha certeza absoluta de que eu devia, ou queria, estar fazendo. Durante muitas vezes eu senti um impulso enorme de largar tudo e voltar pra casa e ficar com a minha mãe e deitar na minha cama e ficar lá pra sempre. E apesar de eu ter conhecido bastante gente na nova cidade, eu ainda me senti, me sinto, solitária na maior parte do tempo, presa nesse limbo cheia de questões existenciais.

tl;dr: Eu meio que me sinto como as personagens de Ghost World.





Em Ghost World, Enid e Rebecca, as duas personagens principais, também acabaram de terminar o colegial e passam a maior parte do tempo andando pela cidade, indo aos mesmos lugares e fazendo comentários sarcásticos sobre as pessoas que encontram. Elas meio que evitam falar sobre faculdades ou sobre o futuro da amizade delas, e preferem continuar fazendo as coisas que elas sempre fizeram e que costumavam ser divertidas para elas, tentando ignorar o fato de que a cidade e as pessoas em torno delas estão mudando, assim como a amizade delas começa a se deteriorar. Enid, em especial, tem que lidar com o fato de que aquela sua visão de mundo meio everything sucks é bem restrita e superficial, e que a sua melhor amiga é diferente dela em vários aspectos.


Para mim, essa história é sobretudo sobre deixar as coisas irem, sobre abandonar certas coisas, e aceitar mudanças, e aceitar que as coisas mudem você. Como a Enid, é difícil para mim abandonar a minha visão restrita e superficial de mundo, especialmente porque ela tem tanta relação com a minha adolescência, ou mesmo com a infância. As coisas pequenas que ela faz ao longo do livro, tipo pintar o cabelo de verde e se vestir punk, ou ouvir um disco que ela ouvia quando era criança, representam bem essa sensação de tentar se agarrar ao que um dia foi estável.

Frances Ha também é um filme que traduz bem toda essa situação. Tipo quando a Frances tenta pagar a conta de um restaurante e não aceitam o cartão dela e ela diz aquela frase que eu sei que vai definir a minha vida por um bom tempo:


Frances tem de lidar com o fato de que a sua melhor amiga está tocando a sua vida sem ela, e começar a encarar coisas bastante adultas tipo procurar um apartamento, e pagar o aluguel do apartamento, e arranjar um emprego para pagar o aluguel do apartamento. Frances pula de lugar em lugar, conhecendo pessoas novas mas sempre sentindo falta de sua amiga, e solitária, e confusa. E é como se ela sempre estivesse no timing errado com o resto do mundo. Mas o que eu achei legal e me identifiquei é que apesar de tudo ela tem esses momentos de otimismo ou só de entusiasmo sem motivo aparente, tipo quando ela está correndo na rua enquanto toca David Bowie.













E também, as cenas dela fazendo compras no supermercado, ou lendo no transporte público, e
quando ela vai visitar os pais dela na cidade natal, que é uma cena tão calma e reconfortante pra ela em comparação com a bagunça que é Nova York.






No final, ela ainda não tem a vida inteira feita. Talvez ela nem tenha conseguido encontrar completamente uma resposta pra pergunta do "o que eu faço agora?". Talvez não tenha bem uma resposta. Talvez eu devesse parar de ver a vida como um prédio de x andares onde a gente percorre sempre progressivamente em direção ao último andar, usando elevadores ou escadas rolantes ou qualquer outra metáfora com meios de transporte. Acho que afinal não tem problema ficar no limbo por um tempo. A Frances aprendeu algumas coisas e conquistou algumas outras coisas, e acho que é isso que eu também espero para mim no próximo ano.

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sábado, 20 de dezembro de 2014

what will we miss

uma cobra bastante animada pro Natal (source)

Vou fazer um a roundup de coisas legais que vi na internet essa semana e vou expressar minha opinião sobre elas por motivos de: sim.

- Eu vi esse texto flutuando no tumblr e achei bem interessante. É sobre como aquele conselho do "siga seus sonhos/faça o que você ama" foi romantizado ao ridículo e muitas vezes entra em conflito com a realidade - especialmente quando o assunto é dinheiro. Mas esse trecho do texto fala disso melhor do que eu jamais conseguiria:
"We’ve romanticized following your heart to the point that we’ve bastardized listening to your head. 
Chase your dreams, pursue your passion, do what you love, and you’ll never work a day in your life. But what happens when what you love becomes diluted by the process of incorporating it? When writing becomes scripting tweets for Merrill Lynch? When designing clothes becomes needing to hit sales numbers and Facebook likes? When becoming a character on the stage means having to constantly play a character in life? What is so wrong with having a job that’s just a job? When did we become so entitled to think that we should enjoy every minute we are literally surviving? That we can just fly from airport to airport finding ourselves? Who’s going to run the airport? 
And more importantly, what happens when what you love is something that needs money? Money matters. It’s foolish and arrogant to say otherwise. [...]  Maybe it’s brave to quit your job to go paint in Peru for a year, but it’s also brave to work two jobs to help pay for your mom’s medical bills. It’s smart to stay at the law firm until your loans are paid off. It’s OK to only tolerate your job but love your hobbies, because as soon as passions are turned into careers, you risk turning love into work."

Acho que especialmente o segundo parágrafo diz muito para quem quer seguir uma carreira artística ou criativa e está em conflito entre fazer algo com intenções "puras", tentando não focar demais em reconhecimento e dinheiro ou fazer algo que segue uma fórmula fácil e que sabemos que intencionalmente vai vender ou pelo menos atrair mais gente (oi, essa pessoa em conflito sou eu). No final talvez mesmo que você esteja trabalhando na área daquilo que você gosta, ainda vai haver uma distinção considerável entre o seu trabalho (que inevitavelmente tem que funcionar dentro do capitalismo) e o seu hobby.



- Esse texto é uma introdução muito boa ao trabalho da fotógrafa Francesca Woodman. Nos seus autorretratos, ela se funde com o ambiente, às vezes expondo o seu corpo e tornando-o sujeito e às vezes tentando escondê-lo como um objeto que faz parte do plano de fundo. É um trabalho meio fantasmagórico, como se ela nunca estivesse exatamente presente nas fotos. Já que eu estou sempre interessada em mulheres artistas, eu espero fazer um post só sobre ela futuramente.

- Eu tinha expressado minha frustração num outro post sobre como não tinham muitas mulheres presentes no sci-fi e aí eu descobri sobre a escritora indiana Roquia Sakhawat Hussain, que em 1905 (!!!) escreveu um conto sobre uma utopia futurista onde as mulheres tiveram acesso à educação e à livre participação na sociedade. O conto se chama O Sonho da Sultana e recentemente foi traduzido para o português e ganhou uma capa linda! Dá pra baixar de graça aqui, junto com uma coletânea de histórias infantis de ficção científica que discutem a questão de gênero.

- Esse vídeo do Vsauce, que é incrível (como todos os outros vídeos), fala sobre as coisas que vão acontecer no futuro e que nós não estaremos aqui pra ver, tipo a colisão entre as galáxias da Via Láctea e a Andrômeda daqui a 4 bilhões de anos. A melhor coisa desse vídeo, porém, é esse comentário:
This collision between Milky Way and Andromeda will be much more creative than it will be destructive. It seems like a wedding to be. The event will be unimaginably beautiful to behold. But the Milky Way is a she, and Andromeda is definitely a she. Does this mean that it will be a lesbian galactic wedding?  
Eternamente triste porque vou perder o maior casamento lésbico do universo :(

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

a Yoko Ono é mais daora que você


Meu primeiro contato com a Yoko Ono, ou pelo menos com a imagem dela, foi em um episódio das Meninas Superpoderosas. O episódio inteiro era uma paródia cheia de referências à história dos Beatles, desde a formação da banda até o rompimento, este obviamente causado pela Yoko, no desenho interpretada por uma macaquinha vestida toda de branco que gostava de gritar de um jeito estridente e fazer arte conceitual que ninguém entendia.

Acho que essa paródia acaba representando bem a ideia da Yoko Ono presente no imaginário popular. Ela é a mulher má que sozinha e apenas usando a força da mente conseguiu destruir a maior banda da história!!!!! O John Lennon nunca mais foi o mesmo depois de conhecê-la!!!!! Ela é a raíz de todo mal!!!!!!! E ela grita muito!!!!!!! Esse é um breve porém sucinto resumo do que ficou conhecido como o mito, ou estereótipo da Yoko Ono.

E eu acho que as pessoas preferem se ater aos estereótipos porque eles são fáceis. Tentar entender a fundo uma das mulheres mais incompreendidas do último século é um pouco mais difícil.

Yoko Ono é uma artista, ativista e visionária, que teve de lidar com muita merda - incluindo ser julgada pelo seu gênero e raça, que obviamente se intensificou após o fim dos Beatles. Mas acho que ela nunca se permitiu assumir o lugar de vítima. Na verdade, apesar de todo o ódio, ela persistiu fazendo aquilo que deixava seus haters ainda mais putos: ficando com o John Lennon e produzindo a sua "arte incompreensível", seja na música, seja na performance.

(E só para deixar claro, não é como se eu acreditasse que ela tenha passado pelos Beatles sem causar nenhum tumulto. É claro que a presença dela perturbava a banda, talvez porque pela primeira vez eles tinham uma presença feminina que não se contentava em ficar quieta e aceitar qualquer merda machista e/ou racista que jogassem nela. E sim, por mais "progressistas" que os caras fossem, eles ainda eram cuzões com suas respectivas esposas).

Uma das minhas performances favoritas dela, e provavelmente a mais famosa, é a Cut Piece, em que ela, sentada em um palco, convida o público a cortar pedaços da sua roupa. Eu não consigo nem imaginar o quão aterrorizante isso deve ter sido, e tamanha a confiança que ela teve de depositar em um bando de estranhos, e permitir que eles se voltassem contra ela. Tristemente, uma performance como essa é quase como uma premonição do que viria a acontecer com a sua imagem durante o namoro com o Lennon.


Outra obra que dela que eu gosto muito é a Ceiling Painting, em que o espectador tinha que subir uma escada e com uma lupa enxergar um papelzinho minúsculo onde se lia "yes". Numa interpretação mais pessoal, essa obra me faz lembrar como pra mim é difícil às vezes dizer sim, ou me afirmar, ou responder positivamente às coisas. Nas palavras da Yoko, essa obra é uma resposta às várias coisas negativas, ou aos vários "nãos", que aconteceram na sua vida, e como o elemento "sim" é importante, como a positividade é importante - ainda que pequena ou trabalhosa de se alcançar.

E esses são uns trechos do livro Grapefuit dela, que tem ideias de várias performances (?? eu não sei se esse é o termo certo) que você mesmx pode executar.






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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

(spoilers) um post ridiculamente grande sobre o espaço e outras coisas


Uma coisa que eu notei olhando uns blogs por aqui foi que muita gente curte falar dos livros que estão lendo, e eu também tenho vontade de falar disso mas eu sou uma leitora muito devagar (e preguiçosa) então nos meus padrões eu só poderia falar de um livro a cada dois meses. O último que eu li foi 2001: Uma Odisséia no Espaço do Arthur C. Clarke. Em parte, o que mais me atraiu no livro foi o fato dele ser inteiramente preto por fora, e eu não conseguia parar de olhar pra ele e querer tocar ele (tipo como se fosse, sabe, O MONOLITO DE FATO). Eventualmente eu não consegui também parar de lê-lo até chegar na última página.

Eu sou uma novata na literatura sci-fi mas até agora estou adorando tudo que já li, e com 2001 não foi diferente. Não vou entrar em detalhes sobre a história porque na verdade eu sou uma bosta descrevendo enredos. O importante é: eu li e eu recomendo infinitamente.

E depois eu vi o filme. Algumas pessoas dizem que ler o livro antes de assistir o filme acaba interferindo na experiência cinematográfica como um todo, porque querendo ou não você acaba assistindo o filme tendo em mente o que você ficou sabendo no livro. E eu entendo isso, imagino que assistir 2001 livre de qualquer noção do que está acontecendo ou do que pode acontecer torna a experiência muito mais bizarra e contemplativa e talvez mais condizente com o que o Kubrick esperava passar pra audiência???

Quero dizer, o filme não é inteiramente baseado no livro. Na verdade, os dois foram escritos ao mesmo tempo, e eventualmente cada um tomou um rumo artístico diferente. Ao contrário do livro, o filme abre muito mais espaço para a subjetividade, sem necessidade de usar palavras (ou, nesse caso, diálogos). Eu gosto disso. Subjetividade é legal. Eu gosto de projetar meus problemas inconscientes nos filmes. Acho que é daí que vem as inúmeras teorias sobre o propósito do monolito, ou sobre o propósito do filme inteiro em geral.

Outra coisa: esse filme tem uma fotografia insana. Literalmente insana, considerando as limitações da época. (Eu tirei muitos print screens porque YOLO).

























À respeito do significado do monolito, eu sei que existem diversas teorias por aí que vão desde a metalinguagem do cinema até o conceito de Deus, e eu quero ler todas elas porque eu <3 teorias, mas também encontrei um trecho de uma resenha do crítico Roger Ebert que acho bastante adequado pra essa necessidade que certas pessoas têm de achar um significado ÚLTIMO E CORRETO pra coisas que são propositalmente deixadas em aberto nos filmes:

"In a linear movie, you never ask why John Wayne wants to kill the bad guys (although perhaps you should). [...]  The people who surrounded me the other night had lots of questions for each other about that monolith. 
Q. What's that big black monolith? A. It's a big black monolith. 
Q. Where did it come from? A. From somewhere else. 
Q. Who put it there? A. Intelligent beings since it has right angles and nature doesn't make right angles on its own. 
Q. How many monoliths are there? A. One for every time Kubrick needs one in his film. Now it would seem that these are obvious observations. But audiences don't like simple answers, I guess; they want the monolith to "stand" for something. Well, it does. It stands for a monolith without an explanation. It's the fact that man can't explain it that makes it interesting. If Kubrick had explained it, perhaps by having some little green men from Mars lower it into place, would that have been more satisfactory? Does everything need an explanation? Some people think so. I wonder how they endure looking at the stars."

























E aí tem a cena final (os últimos 20 minutos do filme) que é completamente trippy e que, talvez não por mera coincidência, fica muito legal com uma música do Pink Floyd no fundo. No livro, essa é a parte que ele é transportado em uma outra dimensão do espaço. No filme é uma explosão de cores e cenários incompreensíveis aberto a diversas interpretações.

Eu gosto em especial de uma teoria que li num fórum que diz que esses últimos 20 minutos precisam ser incompreensíveis, porque é assim que basicamente seria se entrássemos em contato com uma forma de vida superior: nossos cérebros não teriam a capacidade de fazer sentido do que está acontecendo.






















Agora eu estou inspirada por TODAS AS COISAS DO ESPAÇO, e sci-fi, e também física e astronomia e Carl Sagan. Eu acho legal pensar nesse futuro com essa estética prateada retrô e roupas excêntricas sem nenhum embasamento científico, mesmo que agora a gente já saiba que não é muito plausível que o futuro se pareça com isso. Outra coisa: cadê as mulheres no sci-fi????? Cadê as formas de vida alieníginas que homenageiam sua rainha Björk????????



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